sábado, 25 de Abril de 2009

25 de Abril de 1974 / 2009




Faz sempre bem lembrar aos mais novos, os dias difíceis por que passaram os seus pais e avós.



Memórias de um tempo de faltas!
Falta de trabalho justo…
Falta de dinheiro…
Falta de comida…
Falta de cultura…
Falta de oportunidades…
Falta de vias públicas…
Falta de literatura…
Falta de energia…
Falta de água…
Falta de casa…
Falta de higiene…
Falta de alegria de viver…
Falta de conhecimento…

Falta de LIBERDADE!
Liberdade de respirar…
Liberdade de sentir…
Liberdade de opinião…
Liberdade de ver…
Liberdade de viajar…
Liberdade de ouvir…
Liberdade de religião…
Liberdade de escrever…
Liberdade de casar…
Liberdade de reunir...
Liberdade de expressão…
Liberdade de poder VIVER!...

Recomendo para este dia o "link" seguinte:

http://www.youtube.com/watch?v=gdpI6KoiY-g

quarta-feira, 22 de Abril de 2009

Da Janela do Sótão II

Avista-se a serra decepada pela “A8” no seu comprimento. Que pena a serra estar decepada! Antes verde, agora cinzenta de cimento e alcatrão. Por vezes os carros subiam serra a cima, pela estrada estreita e sinuosa, a contornar a serra, em direcção à Usseira, actualmente vão em grande velocidade, de norte para sul e de sul para norte percorrendo a serra em poucos instantes.
Meia serra, até ao sopé era cultivada. Esta era a altura em que a azafama era maior. Gentes de enxada na mão sulcavam a terra, enterrando aí algum do produto da colheita anterior. Árvores de fruto cheias de flor abundavam por lá. Flores das ginjeiras, ameixieiras, pessegueiros e de tantas outras enriqueciam a encosta de um jardim natural.
Cá em baixo, junto à casa da eira semeia-se a fava e o feijão, planta-se a couve e a alface e a batata também não é esquecida.
Havia alturas em que o mato na serra ardia, do meio para cima. Serviço sempre bem cumprido pelos Bombeiros Voluntários de Óbidos, que acabavam com o fogo.
A sul da serra uma ex-pedreira, da qual saíam toneladas de pedra para as diferentes obras. Por vezes explosões na pedreira cortavam o silêncio das pessoas na aldeia. Hoje em dia o silêncio na aldeia já não existe, os carros cortam-no a todo o instante.
O que se mantém ainda é o aparecimento do Sol, por vezes envergonhado, talvez pelo que andam a fazer à serra.

domingo, 19 de Abril de 2009

Dia Mundial da Voz

No dia 16 de Abril, comemorou-se o Dia Mundial da Voz. Este dia é comemorado desde 2003 por proposta do Professor Doutor de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina de Lisboa Mário Andrea, na primeira reunião da Sociedade Europeia de Laringologia (European Society of Laringology), à qual presidiu. Visa promover a saúde do aparelho vocal e prevenir as doenças da laringe.
A RTP associou-se a este evento e transmitiu para todo o mundo uma gala de fado que a todos nós portugueses nos deve encher de orgulho, com a presença de algumas das melhores vozes do fado da actualidade como por exemplo o Camané, Katia Guerreiro, Ana Moura, Gonçalo Salgueiro, entre outros. Obrigado RTP por mais este programa de serviço publico tantas vezes discutido e por tão poucos apreciado. O fado é um bem, que a todos nós deve encher de orgulho, dá-nos prestígio através dos nossos fadistas, que levam a nossa “VOZ” a todos os cantos mundo. É algo de especial, inigualável, muito difícil de imitar. Muitos, por esse mundo fora, o têm tentado cantar, mas só os nossos o apresentam com sentimento, autenticidade e com o orgulho de ser Português. Experimentem este grande exemplo:

domingo, 5 de Abril de 2009

Dia Nacional dos Moinhos...


Ao folhear a revista “Visão”, fiquei agradavelmente surpreendido com o que li sobre os moinhos (Visão Sete) e relacionado com o Dia Nacional dos Moinhos que se comemora a 7 de Abril. Afinal no meu País ainda há pessoas interessadas na defesa do nosso património.
A Rede Portuguesa de Moinhos (RPM)
http://www.moinhosdeportugal.org/web/ iniciada em Boticas a 8 de Abril de 2006, contando desde a primeira hora com o apoio da Câmara Municipal de Boticas e mais tarde com os Municípios do Montijo, Cascais e Viana do Castelo, está minimamente atenta ao vasto património de moinhos existente no nosso País. A iniciativa de “Moinhos Abertos” é talvez, o coroar do esforço feito pela RPM, na defesa do restauro e conservação deste pecúlio, em que o nosso País é rico e que nem todos nós estamos empenhados em apoiar, onde incluo a maior parte dos nossos Municípios, que parecem ter uma vontade enorme em desfazer o que os nossos antepassados edificaram. Sei que é difícil aos municípios, por vezes, deitar mão a todo património existente, mas se deslocassem algum do dinheiro direccionado em acções menos importantes, ficaríamos mais ricos em termos patrimoniais e todos nós agradeceríamos.
Parabéns à Rede Portuguesa de Moinhos e a todos aqueles que defendem o nosso Património.
Junto duas fotografias de dois moinhos pouco cuidados e que mereciam um auxilio de quem de direito.

A imagem que ilustra o artigo foi retirada de
http://www.arteaovento.com.pt/ .
Recomendo ainda o fado de Alfredo Marceneiro “Moinhos Desmantelados” em:

domingo, 22 de Março de 2009

A Primavera...


É com toda a certeza a estação do ano mais bonita, a Primavera.

O tom castanho da terra nua, dá lugar ao verde das ervas, pintadas aqui e ali de flores brancas e amarelas dos malmequeres.

As ameixieiras ficam brancas de flor, depois o rosa forte dos pessegueiros e de seguida uma mistura infinita de cores vivas, com fundo verde de folhas a envolver as abelhas que viajam de flor em flor, polinizando-as e ao mesmo tempo, recolhem o delicioso mel.
A foto que deixo é de uma ginjeira junto ao meu quintal, que representa todas as flores a serem polinizadas pelas abelhas e que mais tarde se vão tornar em fruto!...

sábado, 21 de Março de 2009

Dia Mundial da Poesia

É com enorme alegria que volto a escrever no meu "Blogue", a primeira publicação em 2009, neste dia em que a "UNESCO", em 1999, decidiu que o dia 21 de Março seria o "Dia Mundial da Poesia".
Na biblioteca Municipal de Almeirim foram entregues os prémios de poesia referentes aos jogos florais realizados nessa localidade e em que saiu premiada a Helena, a minha poeta, e o nosso orgulho cá de casa.
Todos aqueles que se quiserem deliciar com as suas poesias, não deixem de ir ao blogue, http://www.helenadobidos.blogspot.com, e aí encontraram os seus versos premiados.
Os meus parabéns à minha POETA!

sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008

Da Janela do Sótão…


Vejo os telhados das casas da aldeia, e outras sem eles, degradadas. Alguém tome conta delas! Paredes que definham quase em ruínas. Lares que já tiveram vida, agora só a história ficou. E que histórias existem para serem contadas! Outras casas com telhados novos, paredes pintadas, não caiadas. Antes todas eram caiadas. A cal brilhava todos os anos, a pintura raramente, começa a estar feia, decrépita, bolorenta, ganha velhice. A calçada, sim, ainda existe calçada, irregular, as ruas estreitas, tornaram-se parqueamentos de carros, antes só burros e juntas de bois ali passavam, alguns a puxar uma carroça.
“Outono, época de vindimas, e o cheiro a mosto ao dobrar de cada esquina”.

Além, habitações recentes. Entre elas campos agrícolas, sem agricultores. Já ninguém quer ser… Terras férteis, sequiosas de produzir, cheias de gente e vida, agora adormecidas e vazias. Só cimento que cresce.
“Suor ensanguentado nas mãos que puxavam a enxada”.

No moinho, com paredes erguido no cimo da colina, velas recolhidas, do mastro que já não existe. Gemidos forçados pelo vento e cabaças que assobiavam junto das velas, abafando o seu sofrimento. Trigo, milho, qualquer cereal, triturado por mós de pedra, enormes, pesadas, bujardadas para que os grãos se transformassem em farinha.
“Animais acarretando os cereais, a subir os estreitos caminhos da serra e a descer, devagar, transportando a farinha…”

Mais para o Norte, o “Campo da Pinha”, cheio de futebol amador, em que os participantes, corriam em busca de uma forma arredondada que saltitava, fugidia, e que por vezes era apanhada por uma rede, fixa entre postes, num dos lados mais estreitos do terreno de jogo. Hoje, a erva cresce, ninguém está lá para a pisar e evitar que ela prospere. Outras actividades menos saudáveis chamam os jovens a acções menos benéficas.
“Gritos de alegria à sua volta, outros zangados pela tristeza dos seus não terem acertado a bola na rede…”

Como cresceram as casas na serra mais ao longe! A aldeia vizinha está mais próxima. Descubro vultos no horizonte, está a anoitecer… Começa a brilhar a iluminação pública. As nossas casas estão a ficar mais escuras, pelo sol desaparecido.
“Amanhã, verei o futuro deste presente, com um passado que o pensamento descobriu…”